sexta-feira, 18 de março de 2011

dia # 4

O dia amanheceu chuvoso, talvez porque fosse o dia de partir! Arrumei a mochila, fiz o check out e parti para a rodoviária para comprar a passagem de ônibus para Montevidéu. Quando pensei nesse mochilão pelo Sul, tinha planejado ir "apenas" até o Chuí, tendo como ponto de partida Porto Alegre. Viajar sozinho traz a liberdade de você fazer e mudar o seu roteiro à vontade, de acordo com as circunstâncias. Como a previsão do tempo para o Chuí não era muito animadora para os próximos dias, e levando em conta que a viagem duraria cerca de 8 horas, acabei decidindo em cima da hora acrescentar 4 horas à viagem e ir para Montevidéu. Aproveitei para entrar em contato com uma uruguaia que conheci no caminho para Macchu Picchu dois anos antes, e que se dispôs a ser minha guia por terras cisplatinas. Passei o dia tratando da hospedagem, conferindo pontos turísticos e estudando sobre a história do Uruguai. Aguardando o ônibus, conheci Bárbara, uma argentina que também estava indo para Montevidéu após algumas semanas viajando pelo Brasil, e que se interessou pelo (preço do) hostel que eu havia reservado e decidiu me acompanhar.

quinta-feira, 17 de março de 2011

dia # 3

Refeito do dia e, principalmente, da noite anterior, fui almoçar em um restaurante indicado por duas coloradas que conheci durante o jogo na noite anterior. Lugar simples, com uma grande churrasqueira em um dos lados do salão, onde costelas de gado e de porco são assadas na brasa por cerca de 10 horas em uma espécie de rolete giratório e são servidas acompanhadas de feijão de corda, maionese e tomate. Sensacional! Com os termômetros marcando 36 graus, rumei ao Estádio Beira-Rio para visitar o Museu do Internacional, extremamente organizado e interessante, com destaque para a arquibancada virtual e objetos ligados à história do clube, como o original do pedido de autorização de gravação do hino, composto por Nelson Silva, com a devida aprovação do departamento de censura do então governo militar. Mais uma longa caminhada e um ônibus depois, voltei para o hostel para encontrar um santista que havia conhecido e com quem havia combinado de assistir ao jogo do Grêmio pela Libertadores em um bar próximo. Afinal, se havia assistido à partida do Inter, tinha de ver como se comportava a torcida tricolor. À noite, muito calor e mais uma visita à Cidade Baixa, desta vez ao Preto Zé, balada onde se apresentou uma banda de samba-rock que colocou todo mundo para dançar.

quarta-feira, 16 de março de 2011

dia # 2

Devidamente descansado, tomei o café da manhã do hostel e parti para mais uma jornada pela cidade, começando pelo Parque da Redenção (ou Farroupilha), grande área verde na entre a Cidade Baixa e o bairro Bom Fim. O dia de céu azul e muito calor atraiu centenas de pessoas para uma caminhada, corrida ou mesmo para um chimarrão em seu gramado, programa quase obrigatório para os locais.
[parque da redenção]
Próximo ao grande lago fica o mini-zoológico Palmira Gobbi Dias e seus viveiros com macacos, aves e jabutis. De lá, segui de ônibus para o Mercado Municipal, onde almocei na Temakeria Japesca. Toda sorte de temakis por apenas R$ 5,00 cada! Ótimo negócio! Outro ônibus, desta vez para o Museu de Ciência e Tecnologia da PUC/RS. As atrações estão divididas em três pavimentos.
No primeiro, exposições de minerais, animais e vegetais. No segundo, o universo e o planeta Terra. Mas o mais bacana mesmo fica reservado para o terceiro andar, onde estão os dezenas de experimentos que nos fazem lembrar ou aprender sobre conceitos de física e matemática. Tudo na prática e com muito interatividade. Sem qualquer cerimônia, puxei tudo quanto foi alavanca e apertei dezenas de botões por cerca de uma hora e meia. Diversos monitores, todos alunos da PUC/RS, tiram quaisquer dúvidas e ajudam no que for preciso. Destaques para o giroscópio humano, aparelho ao qual você é atado e que simula a ausência de gravidade e ao gerador Van der Graaf, cuja corrente elétrica deixa os visitantes que se aventurarem a tocá-lo de cabelos em pé.
De lá, segui para a boêmia Cidade Baixa (a Vila Madalena portoalegrense) para assistir ao jogo do Internacional na Libertadores em algum bar. Escolhi o Malvadeza por estar mais cheio e vim a saber que era, de fato, um reduto colorado, onde moças e rapazes gritam, xingam e comemoram em pé de igualdade. É impressionante o fanatismo do gaúcho pelo futebol. Camisas coloradas e tricolores desfilam pelas ruas e basta uma rápida conversa para você perceber que isso é levado muito a sério por aqui. Depois do jogo, ainda tive tempo e energia para encarar um samba em um bar próximo chamado Paraphernália. Na parede, muitos quadros e fotos de grandes nomes da MPB, do choro e do samba. Seu dono era muito gente boa e sabia tudo de música brasileira, o que rendeu uma ótima conversa antes de caminhar cerca de meia hora pela madrugada de volta ao hostel.

terça-feira, 15 de março de 2011

dia # 1

Depois da burocracia aeroportuária de praxe e de uma hora e meia de voo tranquila, lá estava eu em Porto Alegre, ponto inicial da viagem abaixo do paralelo 30. A primeira figura que chama a atenção, logo na interligação entre os dois terminais do Aeroporto Salgado Filho, é a Estátua do Laçador, símbolo da cidade e do orgulho gaúcho. Hospedei-me em um hostel próximo ao centro, pequeno, simples, honesto, tocado por um jovem casal bem simpático. Ocupado meu lugar ao abrigo do sol, saí pelas ruas. Primeira parada: Parcão, também conhecido como Moinhos de Vento, com lagos com tartarugas, patos e muitas aves. De lá, uma boa caminhada até o centrão, muito parecido com o de outras grandes cidades, dominado pelo comércio popular. Encontrei meio por acaso o Mercado Municipal, com seus quiosques de toda sorte de embutidos, carnes, peixes e hortifrutigranjeiros, além, é claro, de artigos para chimarrão! Não imaginava que pudesse ter algo mais do que garrafa térmica, bomba, cuia e erva! De lá, deixei-me perder pelo centrão e encontrei o Memorial do Rio Grande do Sul (no belo e antigo prédio que abrigava os Correios e Telégrafos) e o Museu de Arte do Rio Grande do Sul (no tão belo e antigo quanto prédio da antiga Delegacia Fiscal), os quais, com o Santander Cultural, compõem o trio de prédios históricos da Praça da Alfândega.
[usina do gasômetro]
No primeiro, dentre outras coisas, uma série de painéis ilustrados conta a história de personalidades gaúchas e, no segundo, diversas pinturas e esculturas de artistas gaúchos, com espaço para algumas obras de artistas de outras partes do País. Mais algum tempo de caminhada e cheguei à Usina do Gasômetro. Antiga usina de geração de energia, a bela construção situada às margens do Guaíba foi tranformada num bacana centro cultural. A torre de sua chaminé, com 117 metros de altura, é um dos cartões-postais da cidade.  Seu terraço e o gramado no entorno são os melhores pontos para apreciar o pôr-do-sol, programa muito disputado pelos portoalegrenses. De lá partem, ainda, alguns dos barcos que fazem o passeio pela lagoa e suas ilhas mais próximas. O passeio de barco durou cerca de uma hora e proporciona uma belíssima vista da cidade. Noite caindo, hora de voltar ao hostel, baixar as fotos e dormir, pois o dia foi puxado!
[pôr-do-sol no guaíba]






segunda-feira, 14 de março de 2011

abaixo do paralelo 30

Voltei de Londres pouco antes do Carnaval. E não foi por coincidência. Apesar de meu visto de turista estar por vencer - o que me obrigaria a voltar -, queria passar os festejos de momo na terra pátria e curtir um pouco de calor. Passada a festança, comecei a pensar no roteiro da próxima viagem. Não sei bem porquê, tinha vontade de visitar os extremos do Brasil, optando por começar pelo Sul enquanto a temperatura ainda estava boa. Assim, Chuí seria o próximo destino. Para chegar lá, tinha de ir para Porto Alegre e, então, encarar oito horas de ônibus. As únicas coisas que fiz com antecedência foram comprar a passagem aérea para a capital gaúcha e reservar duas noites em um hostel. Todo o resto foi decidido durante a viagem, como, por exemplo, ir para Montevidéu. Como a previsão era de chuva pelos próximos três dias no Chuí, decidi acrescentar mais quatro horas na viagem de ônibus e estendê-la até a capital uruguaia. De lá, segui para La Pedrera e, depois, Cabo Polônio, ambas as localidades ainda em solo estrangeiro, antes de ir para o Chuy uruguaio e o Chuí brasileiro. O relato dessa viagem foi publicado na edição de abril da Revista Terraço, de Porto Feliz, e pode ser relido nos próximos treze posts. Ainda percorri o litoral gaúcho, passando por Mostardas e Torres, e continuei rumo norte até Florianópolis. O relato, "inédito", pode ser conferido nos três posts seguintes àqueles.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

chorinho no coração de Londres

De junho a agosto deste ano foi realizado o Festival Brazil no Southbank Centre, em Londres. Nas palavras dos organizadores, o evento levou para o coração da cidade a vibrante e dinâmica cultura contemporânea brasileira, com apresentações musicais, artes visuais, dança, literatura, debates e culinária.

Pelas dependências do Royal Festival Hall – um dos edifícios do complexo cultural que fica às margens do Rio Tâmisa, pertinho da London Eye, e ao lado da Waterloo Bridge –, passaram nomes como Gilberto Gil, Maria Bethânia, Os Mutantes e Tom Zé.

Por acaso, passando pela ponte, vi o enorme cartaz no Southbank Centre e fui conferir a programação. Para a minha sorte, pude acompanhar o show instrumental de Adriano Adewala Trio interpretando Pixinguinha. Simplesmente sensacional.

Duas horas do melhor do chorinho brasileiro – definido pela apresentadora como o “Jazz brasileiro” -, impecavelmente executado pelo trio formado por Adriano Adewala na percussão, Marcelo Andrade, no saxofone e flauta, e Jonathan Preiss no violão – um show à parte.

A plateia formada basicamente por gringos – umas 300 pessoas – se deliciou com canções como “Carinhoso” – deu vontade de chorar -, “Vou vindo” e "Um a zero".





domingo, 5 de setembro de 2010

um homem precisa viajar - Amyr Klink

"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”.





Esse texto é do livro "Mar sem Fim" (e o vídeo, do documentário homônimo), no qual Amyr Klink narra a sua viagem de circunavegação polar. Foi a primeira longa viagem que ele fez depois do nascimento de suas filhas gêmeas. Na última página, ele narra o retorno a Paraty e a entrada na baía de Jurumirim, e, quando vê sua esposa e as duas filhas pequenas brincando na praia, diz: "...tanto mar, ao invés de nos separar, nos uniu. Em 141 dias de ausência, do início ao fim, o Paratii fez a sua volta e retornou a Jurumirim. A Terra é mesmo redonda. Ao longo do caminho, pensando bem, nem vento, nem gelo, nem ondas tão ruins, porque, no fim, nada impediu meu veleiro de voltar inteiro à sua baía. E nada foi melhor do que voltar para descobrir, abraçando as três, que o mar da nossa casa não tem mesmo fim."